quinta-feira, 27 de junho de 2013

MPF irá investigar violência policial contra manifestantes em Belém

27/06/2013 10h34 - Atualizado em 27/06/2013 10h41
MPF irá investigar violência policial contra manifestantes em Belém
Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos pediu providências.
Relatos denunciam ação "truculenta" e "desrespeitosa" da polícia


O Ministério Público Federal (MPF) recebeu denúncia da Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (SPDDH) sobre abusos policiais cometidos durante manifestação pela redução das tarifas de transporte público em frente à Prefeitura de Belém, ocorrida na última segunda-feira (24), na capital paraense.

De acordo com as denúncias, houve repressão “truculenta”, “desnecessária”, “desrespeitosa”, contra manifestantes e até outras pessoas que não representavam nenhum risco à ordem pública. O caso será investigado em um procedimento de investigação do MPF.

Segundo o relato dos manifestantes, através de mediação de advogados da Defensoria Pública do Pará, da própria SPDDH e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a polícia teria concordado em permitir que os cerca de 200 manifestantes acompanhassem o ônibus com os presos até uma delegacia de polícia civil. A ação teria se iniciado após a entrega das reivindicações dos manifestantes à prefeitura de Belém. Naquele momento, um grupo de manifestantes se dirigiu ao local onde a polícia militar mantinha presas pessoas sem acusação.

“Ao abrirmos a passagem para o ônibus, o mesmo acelerou para fugir dos manifestantes, descumprindo o nosso acordo. Neste exato momento, indignados, e com razão, corremos para alcançá-lo e um grupo pequeno de pessoas sentou-se à sua frente para impedir novamente a passagem”, detalha um dos relatos, em carta que também foi entregue ao prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho.

“Daí em diante, de forma sumária, a tropa de choque passou a atirar bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta”, diz a representação da SPDDH. As denúncias estão documentadas por diversas gravações em vídeo e fotos. Além da violência física, há relatos e vídeos que mostram policiais cometendo agressões verbais, injúrias raciais e xingamentos misóginos.

Repressão
“Os policiais encurralaram pequenos grupos dispersos pelas ruas e proferiram todo tipo de xingamentos, ofensas, injúrias e machismos. A maioria dos soldados em exercício não tinha identificação, descumprindo as normas impostas pela própria polícia, e portanto, não poderiam levar nenhum de nós detidos. Mesmo assim continuaram a fazer prisões sem acusação, detendo principalmente as pessoas de pele negra, e um dos manifestantes teve sua mochila roubada por um policial”, diz o relato dos manifestantes.

Além das prisões aleatórias e agressões pelas ruas do bairro da Cidade Velha, em Belém, um episódio em especial se destaca entre as denúncias: a invasão de um supermercado por policiais do Batalhão de Choque da PM. Várias pessoas teriam sido detidas dentro do supermercado sem terem, a princípio, nenhuma relação nenhuma com a manifestação.

O MPF vai analisar as denúncias em um procedimento investigatório na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão.

FONTE:
http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2013/06/mpf-ira-investigar-violencia-policial-contra-manifestantes-em-belem.html







Manifestantes relatam violência da polícia

Manifestantes relatam violência da polícia

Terça-Feira, 25/06/2013, 20:43:24 - Atualizado em 25/06/2013, 23:12:56


(Foto: Rep./Facebook Mayara Pina)

O protesto ocorrido na noite da segunda-feira (24), em Belém, terminou em confronto entre a Polícia Militar e os manifestantes. Diferente da versão oficial divulgada pela PM, de que a ação dos agentes de segurança Estado foram somente uma reação à violência dos manifestantes, algumas pessoas que testemunharam os momentos de confronto procuraram o DOL para contar suas versões sobre a postura adotada pela polícia.

Os problemas iniciaram quando a Policia Militar (PM) prendeu alguns manifestantes e os levaram para um micro-ônibus. O veículo transportaria os suspeitos à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil.

Segundo uma estudante de jornalismo que estava no local, mas não quis se identificar, a repressão policial começou quando um PM descumpriu um suposto acordo de que os manifestantes poderiam acompanhar o veículo até a delegacia para garantir a integridade física dos detidos.

“Depois que soubemos dos presos, fomos até os policiais e perguntamos quais as acusações. Por que as pessoas estavam detidas? Mas não obtivemos resposta e resolvemos sentar na frente do micro-ônibus para evitar a saída com os presos. Foi quando a OAB e a Defensoria Pública chegaram e tentaram negociar com a gente. Depois de muito tempo de negociação, aceitamos sair da frente do ônibus, com a condição de irmos ao lado do ônibus da polícia. Nessa hora a polícia arrancou com o ônibus, descumprindo o acordo, gerando grande revolta entre os manifestantes. Tentamos correr novamente pra frente do ônibus e foi aí que a policia começou a atirar, jogar spray de pimenta e bombas de gás”, descreve a manifestante.

BARRICADA

A estudante também contou que a barricada montada na esquina da avenida 16 de Novembro com a avenida Tamandaré, no bairro Cidade Velha, foi feita para que os manifestantes pudessem fugir das bombas e tiros do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

“Com o ataque furioso da polícia, tivemos que fazer aquela barricada porque eles seguiram pela 16 de Novembro (avenida) soltando balas e bombas por todos os lados. Vinham avançando todos montados com os escudos. Estávamos correndo e eles não paravam de nos atacar” alega.

INTIMIDAÇÃO


O estudante e membro do Coletivo Vamos à Luta, Julio Miragaia, também procurou a reportagem do DOL para contar o que sofreu durante a ação policial. Segundo ele, os policiais militares fizeram perseguições nas ruas do bairro Cidade Velha e cometeram vários abusos.

“Eu já tinha saído da manifestação e estava na parada de ônibus para ir para casa com uns amigos, quando os carros da Rotam chegaram. Nós corremos e fomos ameaçados com armas apontadas nas nossas caras por três viaturas diferentes. Ficamos das 22h30 até 23h30 atrás do shopping Pátio Belém com um grupo de 18 pessoas com medo de sermos atacados pelos policiais. Vimos pessoas pegando tiros à queima roupa de forma gratuita, gente que nem estava na manifestação”.

Para Julio, a repressão tem motivação política e visa deter o movimento dos jovens. “A repressão da polícia foi muito autoritária. Isso tem a ver com uma orientação política do Governo do Estado e do município para acabar com o protesto, para criminalizar o movimento. E infelizmente isso tem colaboração de grande parte mídia, que hoje (terça-feira) distorceu os fatos”, acredita.

POLÍCIA

Em nota em seu site, a Polícia Militar do Estado do Pará afirma que “a tropa do Batalhão de Polícia de Choque, mais uma vez, teve de atuar no controle de distúrbios civis, utilizando a munição química prevista para situações que atentem contra a integridade física das pessoas e que provoquem desordem, depredação ou atos similares que se caracterizam pelo uso de rojões, pedras, paus e todo e qualquer material utilizado com arma ou munição por pessoas irresponsáveis e muitas destas, criminosas”.

Na mesma declaração, a PM-PA afirma que a barricada montada pelos manifestantes não foi obstáculo para que os presos fossem levados à DRCO e que a tropa do Comando de Missões Especiais deteve nove pessoas que irão responder pelos atos nocivos praticados.

A Polícia Militar afirmou em nota enviada ao DOL na noite desta terça-feira (25) que a "Corregedoria da PMPA está aberta para as denúncias por parte de quem se sentiu prejudicado pela ação de algum policial militar".

(Felipe Melo/DOL)